Tudo sobre Ginecomastia: Sintoma, Diagnóstico e Tratamento

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A ginecomastia é uma situação comum que consiste na proliferação do componente glandular da mama masculina. O aumento excessivo das glândulas mamárias em homens, é mais comum do que se imagina. Além disso, a ginecomastia pode ocorrer em pessoas de todas as idades: em bebês, a causa mais comum costuma ser uma reação ao contato com o estrogênio da mãe durante a gestação. Em adolescentes o problema costuma acontecer por volta dos 14 anos de idade.

Conheça mais sobre essa condição e fique por dentro de como ela pode se desenvolver!

Graus da Ginecomastia

Os Graus da Ginecomastia são:

Grau 1:

É caracterizado por uma massa de tecido glandular mais concentrada, que aparece ao redor da aréola – a área de pele que está em volta dos mamilos. Esta manifestação é considerada mais discreta da ginecomastia. Entretanto, o efeito causado pela enfermidade já pode ser tornar visualmente perceptível pelo indivíduo.

Ginecomastia - Grau 1 - Dr. Wendell Uguetto

Grau 2:

Apresenta uma quantidade maior de gordura acumulada, tornando a sua presença bem mais perceptível tanto para quem possui a enfermidade quanto para outras pessoas.
Ginecomastia - Grau 2 - Dr. Wendell Uguetto

 

 

Grau 3:

É caracterizado pelo excesso de pele que o aumento das mamas vai proporcionar, que eventualmente vai necessitar ser retirado através do procedimento adequado. A difusão aqui vai encontrar seu maior grau, fazendo até com que aconteça o “deslocamento” da aréola e do mamilo para abaixo de sua posição originária. Dependendo do grau o tratamento indicado pode ser via oral, com uso de medicamentos, ou pela realização de cirurgia para retirada da gordura mamária. Geralmente, todo tecido mamário visível em homens deve ser considerado anormal, exceto em três situações fisiológicas: neonatal, puberal e senil.

Ginecomastia - Grau 3 - Dr. Wendell Uguetto

Ginecomastia Fisiológica

A ginecomastia fisiológica, acontece principalmente em 3 períodos principais da vida do homem: logo após o nascimento, na adolescência e na andropausa. Além disso, é chamada de fisiológica porque não há um fator causal responsável pela ginecomastia, como por exemplo uma doença ou medicamento, sem alterações do próprio organismo.

Neonatal

A ginecomastia Neonatal, decorre dos altos níveis de estradiol e progesterona transferidos da mãe ao bebê pela placenta. Alguns neonatos apresentam o chamado “leite de bruxas”, sendo também chamado de tumefação da mama ou mamite fisiológica, acontece por causa dos níveis de hormônios das mães que os bebês ficam expostos durante a gestação responsáveis pelo desenvolvimento das glândulas mamárias. Além disso, a Ginecomastia neonatal é bilateral, podendo acometer mais de 90% dos recém-nascidos. No entanto, não implica tratamentos específicos, podendo regredir até o sexto mês de vida.

Senil

A ginecomastia Senil ocorre com o envelhecimento, por isso ela é considerada fisiológica: cerca de 72% homens com idade entre 50 e 70 anos apresenta alguma forma de ginecomastia, comumente a bilateral. Alguns elementos parecem participar, como a redução dos níveis séricos de testosterona que consequentemente estimulam o tecido mamário masculino e provocam o seu crescimento.

Puberal

A ginecomastia puberal ocorre em meninos na fase da adolescência: em que os hormônios passam a trabalhar mais para o desenvolvimento do corpo, atingindo 2 em cada 3 rapazes. Alguns estudos demonstram que a puberal atinge cerca de 88% dos adolescentes, por volta dos 14 anos de idade. Neste caso o nível de testosterona baixa e o de estrogênio sobe, ocasionando o crescimento nas mamas. No entanto, essa condição pode ser revertida: sem necessidade cirúrgica ou outras terapias, pois com o passar do tempo e da maturação sexual, os hormônios voltam ao normal e as mamas vão aos poucos sumindo. Entretanto, em alguns casos, geralmente decorrentes de outras doenças, como a obesidade, pode precisar de intervenções terapêuticas.

O que é Ginecomastia Unilateral?

A ginecomastia unilateral se caracteriza como uma condição em que há o aumento de apenas uma das mamas, ou seja, causa o alargamento unilateral de uma delas, deixando um lado maior do que o outro. No entanto, independente dela ser unilateral, a causa do seu crescimento desproporcional é a mesma: o desequilíbrio hormonal das glândulas mamárias.

Em geral, essa condição é menos comum do que a bilateral (responsável por acometer as duas mamas), mas as causas são as mesmas e envolvem o desequilíbrio hormonal, em que a taxa de testosterona cai e a de estrogênio aumenta. No entanto, é possível reverter essa situação sem utilizar medicamentos ou procedimentos cirúrgicos. Porém, assim como no caso bilateral, se a situação persistir ou afetar severamente a convivência social do paciente, tratamentos cirúrgicos podem ser considerados.
Saiba mais: Ginecomastia unilateral ou bilateral

A Fisiopatologia da Ginecomastia

O sistema endócrino da ginecomastia fisiopatológica é composto por um grupo de glândulas e órgãos que regulam e controlam várias funções do corpo. Isso ocorre por meio da produção e secreção de hormônios. No entanto, esses hormônios são substâncias químicas que afetam a atividade de outra parte do corpo. Sendo assim, alguns dos pacientes com Ginecomastia não têm causa identificável para a patologia, sendo a Ginecomastia, portanto, idiopática.

Fisiopatologia - Dr. Wendell Uguetto

Ginecomastia Patológica

A ginecomastia patológica pode ser considerada um sinal clínico comum a diversas doenças, algumas das quais com potencial de letalidade. No entanto, as principais causas são:

Tumores Testiculares

São responsáveis por liberarem a produção de estrógeno, produção de andrógenos com posterior aromatização ou por secreção de gonadotropinas que estimulam as células de Leydig normais (são células que se encontram entre os túbulos seminíferos, nos testículos). Esses tumores constituem 1% a 3% dos tumores testiculares, desenvolvidos em homens com idade entre 20 e 59 anos e se caracterizam por massa testicular palpável. Sendo assim, a Ginecomastia ocorre em aproximadamente 31% dos pacientes, auxiliando no aumento de síntese de estrógenos pelo tumor.

Tumores Extra-Testiculares

Os Tumores broncogênicos, hepáticos e carcinomas gástricos também são capazes de produzir ß-HCG, responsáveis por causar estimulação das células de Leydig de maneira similar ao que ocorre nos tumores testiculares de células germinativas. Além disso, esses tumores são raros e altamente malignos, com prognóstico reservado.

Hipogonadismo

Quando a ginecomastia ocorre na infância, se apresenta com atraso da puberdade. Entretanto, quando isso ocorre na idade adulta, as manifestações clínicas são: redução da libido, disfunção erétil, fraqueza, cansaço, infertilidade, perda de pêlos corporais e de massa muscular. A redução da secreção de andrógenos e a maior produção de estrogênio, responsável pela maior aromatização decorrente do aumento de tecido adiposo característico do Hipogonadismo. Sendo assim, as principais causas de Hipogonadismo são: síndrome de Klinefelter, anorquia congênita, orquite viral ou bacteriana, trauma, radiação testicular e lesão raquimedular. Além disso, 50% dos pacientes de Ginecomastia sofrem com insuficiência renal dialítica, decorrente do Hipogonadismo que eles possam apresentar.

Excesso de Aromatização

Existem alguns casos de Ginecomastia, que estão relacionados ao aumento da atividade da aromatase extragonadal. Além desses, a obesidade e a hipertireoidismo também estão relacionados ao aumento da atividade da aromatase. No entanto, a causa está relacionada à redução da depuração hepática de andrógenos, com conseqüente aumento da aromatização periférica. A falta de produção de cortisol também leva ao aumento da liberação de ACTH, com conseqüente superprodução de andrógenos que podem ser aromatizados, causando Ginecomastia.

Drogas

Algumas drogas estão implicadas na patogênese da Ginecomastia através dos seguintes mecanismos: ação similar aos estrogênios; aumento da produção endógena de estrógeno; diminuição da produção ou liberação do estrógeno de sua proteína transportadora. Sendo assim, a Ginecomastia pode ocorrer quando há algum tipo de contato incidental com produtos que contenham estrogênio: creme para pele, cremes vaginais e ingestão de leite ou carne de animais tratados com estrogênios.

O excesso de estrogênio no homem pode ocasionar diminuição da libido, perda de massa muscular e ginecomastia (desenvolvimento de mamas).
Portal Medicina Mitos e Verdades “Anaboliznte: efeitos e riscos”.

Causas

Por causa das alterações hormonais típicas na fase da puberdade, podem fazer com que as mamas se desenvolvam de maneira exagerada durante a adolescência dos rapazes. Muitas vezes este processo regride por si só, com o aumento da altura e do tônus muscular.

Entretanto, em alguns casos, essa regressão não acontece, revelando um desequilíbrio entre os hormônios masculinos e femininos produzidos por aquele jovem. Contudo, as causas da ginecomastia podem ser:

Alterações hormonais devido à idade

Durante o crescimento e desenvolvimento do corpo, os hormônios são responsáveis por cuidar da manutenção nas características das células femininas e masculinas.

Tanto a mulher quanto o homem possuem os hormônios testosterona e estrogênio. No entanto, eles não estão presentes em apenas um sexo, mas estão visíveis em diferentes medidas: no homem, há mais testosterona, e na mulher, mais estrogênio.

Isso não impede que em algumas fases da vida, aconteça algumas alterações: ao aumentar o estrogênio no corpo masculino, o homem passa a possuir algumas características que são mais predominantes nas mulheres. Tendo maior relevância nas fases:

  • Recém-nascidos

Quando os bebês nascem seus mamilos podem ser maiores, devido à influência do estrogênio herdado do período em que ficou no útero da mãe. No entanto, após cerca de 4 semanas do nascimento, o tecido mamário pode desaparecer.

  • Puberdade

Na adolescência o corpo apresenta diferentes modificações: pode ocorrer o crescimento do tecido mamário, porém isso ocorre devido ao inchaço que desaparece cerca de nove meses a dois anos até que os hormônios fiquem estabilizados.

  • Terceira idade

Nesta etapa da vida, pode ocorrer a diminuição do hormônio de testosterona em relação ao estrogênio, causando o aumento nas mamas.
Saiba mais: Quais são as causas da Ginecomastia?

Sintomas

Comumente, o aumento das mamas, não afeta o funcionamento do organismo e também não provocam outros sintomas, além do característico aumento mamário. Sendo assim, fica visível que a mama está de um tamanho maior que o normal, como se estivesse inchado. No entanto, em alguns casos podem ocorrer:

Sensibilidade nas mamas

Normalmente, o homem não sente dor ou sensibilidade na mama, exceto em situações de práticas de atividades físicas.

Aréola assimétrica

Devido ao crescimento mamário, pode ocorrer a alteração da aréola, deixando o formato arredondado podendo tornar-se assimétrico, da mesma forma que podem ocorrer alterações de tamanho.

Secreção mamilar

Quando a secreção mamilar surgir nos homens, é preciso consultar um médico para avaliar suas causas, sendo que geralmente está associada a doenças ou alterações do organismo.

Fatores de risco

Os fatores de riscos que podem desencadear a ginecomastia, são:

Início da adolescência

Ao iniciar a adolescência, o organismo sofre várias alterações devido ao desenvolvimento do corpo. Sendo assim, devido às alterações normais da fase, pode ocorrer a ginecomastia.

Terceira idade

Neste caso, a testosterona reduz e o estrogênio e passa a atuar com mais predominância, podendo causar um quadro de ginecomastia.

Obesidade

O consumo de alimentos em excesso propicia que os tecidos mamários cresçam gerando a ginecomastia.

Esteróides anabolizantes

O uso de anabolizantes, pode ajudar a prejudicar a saúde. O uso irregular pode provocar efeitos colaterais como a ginecomastia.

Quais são os exames solicitados?

O cirurgião plástico pode solicitar exames como:

Exames de sangue

O exame de sangue é responsável por medir o nível dos hormônios no organismo do paciente. Sendo assim, eles tem o intuito de apresentar se os hormônios estão alterados. Nesta solicitação de exame pode incluir a avaliação das seguintes taxas hormonais:

  • FSH
  • TSH
  • Estradiol
  • Testosterona

Os resultados auxiliam na investigação de possíveis causas de ginecomastia:

Mamografias

A mamografia tem o intuito de diagnosticar se a ginecomastia foi causada por algum tumor, lesões ou cistos. Este exame pode ser feito utilizando um tipo de raio-x.

Biópsia tecidual

A realização deste exame vai poder avaliar a saúde do tecido da mama do paciente, identificando a causa em maior profundidade. Em alguns casos, a biópsia precisa ser realizada com o paciente sedado para isso. Além disso, é necessária a internação do paciente. Após a sedação, o médico retira uma parte do tecido mamário, este tecido vivo é armazenado e enviado a um laboratório para análise. Geralmente, a biópsia é solicitada quando existem suspeitas de câncer ou tumores.

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Tratamentos

A Ginecomastia nem sempre necessita de tratamento, a menos que seja causa de constrangimento ao paciente. Sendo assim, a terapêutica nos pacientes com Ginecomastia é dividida em três tratamentos:

Tratamento Etiológico

Como já foi dito: algumas medicações que causam Ginecomastia devem ser suspensas ou trocadas por outras que não apresentam esse efeito.
Já os tumores testiculares: células de Leydig e Sertoli; e os tumores adrenais. Devem ser tratados cirurgicamente. Além disso, nos casos de tumores de célula germinativa, é necessário a introdução da quimioterapia.

Tratamento Clínico

Existem três grupos de medicamentos possíveis de serem utilizados para o tratamento da Ginecomastia:

  • Andrógenos:

Carrega a testosterona, di-hidrotestosterona e o danazol. Este tratamento de Ginecomastia de homens hipogonádicos com testosterona não tem bons resultados. Sendo assim, pode ocorrer de agravar a Ginecomastia por elevação do estradiol secundária à aromatização da testosterona. A di-hidrotestosterona é uma alternativa, por não ser aromatizada. O danazol é um andrógino fraco, mas que é capaz de inibir a secreção de gonadotrofinas, causando regressão da Ginecomastia.

  • Antiestrógenos:

Emprega-se o citrato de Clomifeno, tamoxifeno e raloxifeno. Os estudos têm mostrado boa melhora da Ginecomastia com o uso de citrato de Clomifeno, sua taxa de regressão de pode ir até 98%. O uso de tamoxifeno está associado à melhora do quadro. Entretanto, apesar de pouca chance de resolução completa e alta taxa de recidiva, o tamoxifeno é bastante usado por seu baixo custo e poucos efeitos colaterais.

  • Inibidores da aromatase:

Composto por letrozol, anastrozol, fadrozol e exemestano.

Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico é instituído em casos de mais de 12 a 18 meses de progressão e que não obtiveram resultados positivos com o uso de medicações ou de forma espontânea. Em pacientes com graus avançados que cursem com grandes impactos psicológicos, a cirurgia pode ser antecipada.

Além disso, o tratamento cirúrgico só deve ser indicado após a resolução de causas subjacentes: perda de peso, tratamento de tumores, suspensão do consumo de substâncias como hormônios, anabolizantes, medicamentos, álcool ou maconha.

Ginecomastia tem cura?

Sim! Muitas vezes, a Ginecomastia, regride espontaneamente e não necessita de intervenção terapêutica. Entretanto, se for necessário, existem procedimentos capazes de reverter o quadro, como medicamentos e a realização de cirurgia.

Depois da cirurgia, a ginecomastia pode voltar?

Caso o paciente ganhe muito peso após meses da realização da cirurgia é capaz que ele possa apresentar algum distúrbio que propicie o aumento das mamas novamente. Os problemas hormonais e metabólicos, também podem colaborar para que a ginecomastia volte.

Dicas do Dr. Wendell Uguetto

Muitos pacientes chegam até a clínica com certo receio ou hesitação sobre o tratamento da Ginecomastia.
Costumo dizer que isso é resultado da falta de informação, principalmente pelo fato das pessoas buscarem informações em fontes que não são o médico cirurgião especialista. O primeiro e mais importante passo para tratar essa condição é a consulta e o diagnóstico. Afinal, caso a patologia seja identificada de maneira prematura, será possível seguir com um tratamento medicamentoso, evitando assim, uma intervenção cirúrgica.

No portal de nossa clínica, você vai encontrar informações em uma linguagem simples, para que possa compreender um pouco melhor o que é a Ginecomastia. Porém, quero reforçar que as informações contidas em meu site são meramente informativas e, de maneira alguma, substituem a consulta médica ou devem ser utilizadas para um autodiagnóstico.

Por isso, reitero que a consulta médica com um especialista é essencial para um diagnóstico correto, proporcionando a você o melhor tratamento para a cura da Ginecomastia. Agende a sua consulta!

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