Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Doutor Wendell Uguetto fez residência em Cirurgia Geral no Hospital das Clínicas da USP e foi aprovado em primeiro lugar na residência de Cirurgia Plástica no mesmo Hospital.
Suplementos e ginecomastia: o que ajuda, o que é marketing e o que traz risco
Publicado em: 01/10/2025 | Última Atualização em 01/10/2025
Estudos recentes mostram que a ginecomastia ocorre em uma proporção significativa da população masculina, especialmente em fases da vida com desequilíbrio hormonal. Uma revisão de literatura indica que entre 40% e 65% dos homens adultos podem apresentar algum grau de ginecomastia, sendo que grande parte dos casos está associada a um aumento da atividade estrogênica frente aos níveis de androgênios.
Outra análise aponta que, durante a puberdade, há relação entre índice de massa corporal (IMC) elevado e maior prevalência de ginecomastia. Em um estudo com adolescentes, verificou-se que quanto maior o IMC, maior a chance de apresentar tecido mamário aumentado, o que reforça a ligação entre obesidade, aromatização de hormônios e crescimento mamário masculino.
Suplementos podem facilitar a adesão à dieta e ao treino, mas não substituem controle calórico e proteína bem distribuída ao longo do dia. Whey protein ou albumina são atalhos úteis para atingir a meta proteica nos momentos em que a rotina está apertada; a creatina, por sua vez, melhora a performance nos treinos, o que indiretamente ajuda a preservar massa muscular enquanto ocorre a perda de gordura. Micronutrientes como vitamina D, zinco e magnésio têm papel interessante quando há deficiência comprovada, pois podem melhorar disposição e qualidade do sono — fatores que influenciam escolhas alimentares e o equilíbrio hormonal.
Análises de testes, mostram que a suplementação de creatina por três semanas elevou o nível de di-hidrotestosterona (DHT) sem alterar a testosterona total em atletas, o que indica que suplementar pode modificar compostos hormonais menores e merece atenção.
Por outro lado, revisões recentes afirmam que a creatina não está associada a riscos de câncer, hipertensão ou alterações hormonais graves quando usada adequadamente.
O que é superestimado
Muitos suplementos são vendidos com promessas exageradas. Termogênicos, por exemplo, podem aumentar o gasto calórico e a oxidação de gordura, mas esses efeitos são modestos e dependem bastante do contexto total da dieta, sono e exercício. Extratos de chá verde e cafeína são alguns dos ingredientes com respaldo mais aceitável, mas ainda assim ficam atrás de uma refeição bem planejada e de um sono reparador. “Blends” herbais com alegações hormonais dramáticas geralmente carecem de evidências confiáveis e muitas vezes passam de marketing a placebo. Em muitos casos, o investimento traria mais retorno ao reforçar a qualidade da alimentação do que ao comprar “suplemementos milagrosos”.
O que pode piorar o quadro
O uso de pró-hormonais, “test boosters” de origem duvidosa e até anabolizantes representa um risco real para quem lida com ginecomastia. Esses produtos podem interferir severamente no eixo hormonal, aumentar a aromatização da testosterona em estrogênio e agravar o crescimento do tecido mamário. Além disso, trazem riscos cardiovasculares, hepáticos e psicológicos. A longo prazo, o agravamento da ginecomastia pode gerar frustração estética e emocional, especialmente quando o uso é feito sem supervisão.
É importante lembrar que a ginecomastia pode ser induzida por suplementos ou drogas nos adolescentes e adultos, conforme descrito em estudos sobre causas não fisiológicas da condição.
Também vale destacar que o uso de anabolizantes está fortemente associado à ginecomastia por meio da ação da aromatase — o organismo busca reequilibrar o excesso de testosterona convertendo parte dela em estrogênio.
Como suplementar com segurança
A estratégia ideal começa por definir objetivos claros e otimizar primeiro os pilares: dieta, treino, sono e controle de álcool. Só então deve-se introduzir o mínimo necessário para corrigir lacunas práticas. Testar um suplemento por vez facilita a avaliação de benefícios reais e a tolerância individual — assim você evita misturar efeitos e gerar confusão. Em casos de suspeita de ginecomastia verdadeira, é essencial procurar avaliação médica antes de experimentar suplementos hormonais “naturais” ou pró-hormonais. A transparência no plano reduz ansiedade e evita decisões impulsivas motivadas por pressa por resultados.
Em artigos especializados, é frequentemente ressaltado que, na ginecomastia causada por medicamentos ou substâncias hormonais, a primeira medida deveria ser a suspensão ou substituição da substância suspeita, e somente após um período de observação — normalmente de três a seis meses — considerar intervenções mais agressivas.
Quando o assunto são suplementos e ginecomastia, é importante separar aqueles que podem ter impacto positivo dos que apresentam riscos. Suplementos nutricionais básicos, como whey protein, albumina, creatina e multivitamínicos, não causam ginecomastia e podem até ajudar indiretamente ao facilitar a construção de massa magra e o equilíbrio nutricional. Já substâncias pró-hormonais, boosters de testosterona de procedência duvidosa e anabolizantes comercializados como suplementos elevam o risco de ginecomastia por alterarem o eixo hormonal e aumentarem a aromatização de testosterona em estrogênio. Em resumo, a suplementação tradicional e comprovada é segura, mas o uso de produtos hormonais ou sem registro sanitário pode agravar o quadro.

O Dr. Wendell Uguetto, especialista em ginecomastia é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica no Hospital das Clínicas da USP. Atualmente, atende em consultórios localizados no bairro Ibirapuera e no Hospital Israelita Albert Einstein, ambos em São Paulo.
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Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui uma consulta médica. As informações apresentadas refletem a experiência clínica do Dr. Wendell Uguetto e seguem diretrizes amplamente reconhecidas na prática da cirurgia plástica.
Cada caso de ginecomastia deve ser avaliado individualmente por um profissional qualificado, considerando exames físicos, histórico do paciente e exames complementares.
Para um diagnóstico preciso e indicação do melhor tratamento — seja clínico, cirúrgico ou combinando abordagens — agende uma consulta com o Dr. Wendell Uguetto, cirurgião plástico especialista em ginecomastia.








