Sendo apresentado ao câncer de mama masculino pela série OZ

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Há algum tempo temos percebido em nossa sociedade mudanças sólidas acerca do comportamento dos gêneros. Essas mudanças sendo bem aceitas, ou não, em verdade evidenciam que certos problemas que, outrora estavam reservados a serem soterrados pela vergonha e preconceito, passaram a ser discutidos de maneira mais aberta possibilitando um melhor tratamento e maior qualidade de vida.  A ginecomastia é um desses problemas.

Muitas pessoas, por muitos anos de suas vidas, não fazem ideia de problemas e doenças existentes. Vivem completamente alheias até serem apresentadas a essas questões na vida real ou pela ficção.

Vamos mostrar aqui um relato real de alguém, com mais de 40 anos de idade, que só veio a descobrir o fato de que o homem também pode desenvolver câncer de mama depois dos 20 e poucos anos, por meio de um personagem da série de TV “OZ”. Veja:

Prisão

Se me permitem, farei um pequeno ato de confissão: tinha pouco, ou melhor, nenhum conhecimento, sobre a saúde intima masculina, ela em verdade era uma conceituação que simplesmente não cabia no mundo em que fui criado, na década de 1990. Tudo isso mudou assistindo um seriado, e não era médico, chamado OZ.

A série tinha a proposta de por meio do dia-a-dia da prisão de segurança máxima Oswald, apelidada como “Oz”, abarcando todos os seus setores como o corredor da morte, Emerald City, Unidade B e etc. A principal marca era o marcante realismo presente em suas cenas, incluindo temas como sexo, violência e consumo de drogas.  Mas havia algo além disso. Um dos presos, Ryan O’Reily da etnia dos irlandeses desenvolve câncer de mama na segunda temporada.

Se você ficou chocado, não foi o único: até aquele momento eu não sabia que um homem também poderia adquirir esse tipo de câncer. O personagem fica confuso, agressivo e tenta agredir a médica que a diagnosticou, a Dr. Gloria Nathan. Até hoje não esqueço a fala de O’Reily “aqui não podemos demonstrar nenhuma fraqueza”.

E é assim não só na prisão chamada Oz, mas também na condição de homem.

Deixando a prisão de lado

Discute-se pouco sobre a condição masculina e sua relação com o corpo. Isso explica a vergonha e dificuldade de tratar da ginecomastia, uma disfunção que pode ser desencadeada por alterações hormonais ainda na puberdade transtornando o equilíbrio entre as ações da testosterona e dos estrógenos. Percebida em estágio inicial as chances de evolução podem ser restringidas. Comumente, o problema surge na adolescência com meninos entre treze ou quatorze anos, desenvolvendo por cerca de seis meses ou até mesmo menos, voltando ao tamanho correto depois. Mas há casos em que a ginecomastia eleva ainda na vida adulta. O resultado disso é que o homem desenvolve mamas semelhantes a pequenos seios e isso abala poderosamente sua autoestima.

Ao desenvolver mamas acentuadas, semelhantes à da mulher, muito da autoimagem criada pelos homens se mostra abalada. Sempre falamos que as mulheres é que tem uma preocupação exagerada com sua aparência, por isso é difícil reconhecer que também pensamos nossa estética. Muitos relatos demonstram homens que têm dificuldade de se socializar devido à vergonha que sente de suas mamas. Embora existam causas hormonais naturais, o uso de anabolizantes também pode afetar os hormônicos criando essa condição, além da obesidade.

Livre

O mais irônico e confortador é que superado o preconceito de falar de sua condição é possível tratar e resolver os problemas advindos da ginecomastia por meios medicamentosos ou por meio de cirurgias plásticas. Regimes também são indicados. Tudo depende de uma consulta ao médico adequado e a explicação do problema. Não há estudos suficientes correlacionando a condição ao câncer de mama masculino mas convém não arriscar.

E a título de curiosidade Ryan O’Reily admite que está doente e através da quimioterapia consegue superar a doença. Existe alguma liberdade até na prisão, se nos permitimos reconhecer que queremos estar livres e saudáveis.

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Dr Wendell Uguetto

Formado pela faculdade de medicina da Universidade de São Paulo(USP), o Dr. Wendell Uguetto concluiu o serviço de residência médica em cirurgia geral e cirurgia Plástica no Hospital das Clínicas da USP, Sua busca por aprimoramento resultou no prêmio Quality de Cirurgião Plástico de 2011. Hoje, Uguetto atende em dois consultórios e é membro da equipe de retaguarda de cirurgia plástica e crânio-maxilo-facial do Hospital Albert Einstein. Além de várias cirurgias plásticas, ele é especialista no Tratamento para Ginecomastia e na cirurgia de Ginecomastia.