Impactos psicológicos da ginecomastia sobre adolescentes

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A ginecomastia é definida como o desenvolvimento anormal, porém benigno, do tecido mamário em homens, podendo alterar tamanho e formato das mamas. A condição pode se manifestar em qualquer fase da vida, atingindo entre 30% e 40% dos homens em todo o mundo.

O problema possui diferentes causas: fisiológica, patológica e exógena. As causas fisiológicas estão associadas ao desenvolvimento masculino em diferentes etapas: após o nascimento, devido à presença de hormônios maternos; na puberdade por questões hormonais (relação estrogênio-androgênio); e na senil, pela queda da testosterona.

As causas patológicas, por sua vez, envolvem neoplasias, alterações metabólicas hepáticas e renais, desnutrição e hipogonadismo. Por fim, também pode ser causada por fatores como uso de drogas e anabolizantes. A obesidade nem sempre está associada ao surgimento da ginecomastia, pois o aumento nas mamas, nesse caso, é decorrente do aumento no tecido adiposo (gordura), sem que haja aumento na glândula.

Na adolescência, fase marcada por diversas transformações físicas, a incidência pode chegar a 65%, mas tende a regredir espontaneamente com o tempo, sendo que apenas 7% dos jovens permanecem com o diagnóstico e são indicados para acompanhamento e tratamento.

Além das mudanças corporais ocasionadas pela puberdade, a adolescência também traz consigo uma série de mudanças psicológicas, que afetam a visão que os indivíduos nessa faixa etária têm sobre suas relações com o outro, suas visões de mundo e sobre si mesmos.

A delicadeza do período pode acentuar a dificuldade de lidar com a ginecomastia para o jovem que desenvolve o problema. Torna-se comum, por exemplo, que o garoto não queira mais tirar a camiseta em locais públicos, ou mesmo que deixe de frequentar praias e clubes, por vergonha de seu corpo e medo de lidar com a opinião alheia.

Outro problema associado é o bullying, isto é, a provocação que os amigos fazem por conta do fato de o aumento das mamas ser uma característica feminina, ocorrendo justamente em um momento de autoafirmação da virilidade masculina. Isso pode desencadear problemas psicológicos e até mesmo isolamento social.

Devido aos impactos físicos e emocionais consequentes da ginecomastia, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes. Existem dois tipos de tratamento: o medicamentoso e o cirúrgico. O tratamento medicamentoso é indicado quando a ginecomastia é dolorosa, mas ainda em estágios iniciais da doença, geralmente com menos de um ano. Para os casos mais avançados, o tratamento cirúrgico é indicado depois que as causas associadas (tratamento de tumores; problemas hormonais; uso de medicamentos, drogas e anabolizantes) já tiverem sido solucionadas, devolvendo ao paciente um formato de tórax mais anatômico.

Quando a ginecomastia é solucionada, é natural que o adolescente se sinta mais seguro e feliz com seu próprio corpo, recuperando sua autoestima. Assim, ele volta a sua rotina normal, sentindo-se melhor tanto fisicamente quanto psicologicamente.

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Dr Wendell Uguetto

Formado pela faculdade de medicina da Universidade de São Paulo(USP), o Dr. Wendell Uguetto concluiu o serviço de residência médica em cirurgia geral e cirurgia Plástica no Hospital das Clínicas da USP, Sua busca por aprimoramento resultou no prêmio Quality de Cirurgião Plástico de 2011. Hoje, Uguetto atende em dois consultórios e é membro da equipe de retaguarda de cirurgia plástica e crânio-maxilo-facial do Hospital Albert Einstein. Além de várias cirurgias plásticas, ele é especialista no Tratamento para Ginecomastia e na cirurgia de Ginecomastia.